Carlos Fortuna

Carlos Fortuna

Faculdadede Economia da Universidade de Coimbra

O Curriculum Informal das Cidades Educadoras

É hoje comum nas discussões sobre culturas urbanas interrogar sobre se e como poderão os “fazedores” profissionais de cidade, contemplar a informalidade da vida quotidiana e ter em conta os modos informais de viver e de usar democraticamente essa cidade. Trazida para o domínio das cidades educadoras, a interrogação é semelhante ao que em pedagogia se considera ser o curriculum escolar informal. Tomo a informalidade como sendo a margem, ou o outro lado da retórica e da ação dominante – central – da prática educadora das cidades educadoras. É aquilo que não se ensina, mas que se aprende na e com a cidade. Aprende-se a estar, a caminhar na rua, a interagir com patrimónios e memórias, a conviver com diferenças e as mudanças contínuas. Esta pedagogia urbana, inscrita na Declaração de Barcelona, remete para a vida em espaço público e toma a cidade como fonte de aprendizagem e de relação/convivência com o que é inesperado e estranho. Quase todo o estranhamento social é convertido em fronteira que separa uns dos outros. Cria centros e periferias. Nortes e Suis. A pedagogia urbana em que é a informalidade, quiçá mesmo a margem do urbano, que ensina é o território onde se aprende a ver a fronteira como lugar em que as diferenças socioculturais se encontram, reconhecem e podem dialogar. De entre as suas diversas estratégias para incorporar o informal, procurarei fazer o elogio do ato de caminhar na cidade e como ele se pode revelar um instrumento educador.

 

 

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